sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Ser mãe de um PC ( três anos depois )

A vida é composta por fases e etapas. Sentimos-nos neste momento a encerrar uma etapa.

Durante todo este tempo existiram muitas mudanças e muito crescimento.

Quando tivemos o nosso bebé nos braços, há 2 anos e 10 meses atrás, a insegurança era tal que o desespero e a desorientação tomaram conta de nós. Sim, nós mudamos bastante, não da maneira que eu esperava inicialmente, em que passaria apenas de esposa a mãe. Afinal passei de esposa a mãe de uma criança especial. Um desafio muito superior ao que tinha imaginado. Muitas emoções à flor da pele, alguma revolta e necessidade de encontrar o caminho que nos levasse a um porto seguro.
Mas foi uma mudança que nos tem trazido um enriquecimento pessoal. Tivemos que nos adaptar e reorganizar. Tivemos que aprender a dominar a ansiedade e a viver mais descontraidamente, sem tanto planeamento mas com muita disciplina.

Infelizmente uma parte dos objectivos da parte motora propostos para o nosso filho durante este ano, não foram atingidos. Mas penso que a evolução foi muito positiva.

Durante estes longos meses fomos subindo degrau a degrau e derrubando pequeninos obstáculos. A sua maturidade é muito maior e a interacção também. Está muito bem cognitivamente.
Tivemos o problema de que ele estava a acusar um pouco de super-protecção e tivemos de ajustar a nossa forma de reagir. Exigimos obviamente que se porte bem. Educamo-lo, assim como todos os pais o fazem. Sentimos-nos agora mais conhecedores deste território.
As questões e as preocupações que apareciam diariamente, surgem agora num ritmo mais espaçado. Antes tinha a sensação de que as nossas vidas eram como um livro extraordinário: daqueles livros em que mal se pode esperar para virar a página e ver o que fazia de novo ou pelo contrário devia fazer e não fazia. Tínhamos capítulos calmos, alegres, dramáticos mas sempre muito intensos.

A vida do JP continua a ser exigente, mas agora tão rotineira quanto se possa imaginar. Começo simplesmente a perceber que esta vida à PC é uma vida como qualquer outra...
É talvez a fase da conformação. Damos o nosso melhor e esperamos que Deus dê a sua mãozinha e nos ajude um pouco também. O meu coração de mãe não está tranquilo, mas tanto quanto sei não existem mães 100 % tranquilas !

Assim é a vida desta mãe de um PC com quase três anos.

7 comentários:

Maria disse...

Grilinha, o JP é um menino fantástico e eu tenho muita alegria cada vez que leio os teus testemunhos ou que tenho o prazer de ver pessoalmente os progressos do meu amiguinho. A tua frase final passa uma mensagem de dias que rodam, afinal, como os de todos, mãe a cuidar do seu filho, cada um deles tem as suas características, e é para os ajudar a lidar com o mundo que aqui estamos no nosso papel de mães. Nem todos temos é essa força para distribuir e essa alegria que passas, menino de sorte, mãe FABULOSA que és. Um beijinho aos dois.

Anônimo disse...

Mais um testemunho fantastico, como nos tens habituado....

Concordo com tudo , realmente mães 100% tranquilas não há .....

As evoluções vão devegarinho, mas o que interessa é haver.....e vais ver daqui a mais uns degraus, vais pensar "já consegue tudo isto"como eu pensei ....e com a mãozinha de Deus (que nos ajuda sempre) vamos em frente e com a tranquilidade de qualquer mãe.

Beijinhos para os dois

Carla

Lúcia Helena disse...

Oi Grilinha!

Nenhuma mãe no mundo está 100% traquila, até minha avó com 94 anos ainda diz pra minha mãe tomar cuidado ao atravessar a rua, rsrs...

Aos pouquinhos o JP vai melhorar, cada dia uma vitória, e assim, vamos levando nossa vidinha.

Beijos pra vocês.

Thaty Richter disse...

É, somos mães como todas as outras mães do mundo. Só que nossas "preocupações" tem outro enfoque. O que mts vezes caracteriza super proteção. Tb tenho que me policiar mais. Sou mt feliz em ter meu filho, não sou feliz por sua condição de PC, mas me sinto capaz de ajuda-lo nesta árdua caminhada.
Vc tb o é. Parabéns, somos diferentes tb!
Um abraço
Thaty

Guilherme disse...

Muito tocante o seu texto. Interessante que, mesmo tendo uma forma sóbria, é igualmente informativo e emotivo.

Quanto à questão, propriamente, as suas impressões me parecem bastante corretas, bem como a reação que tem aos eventos.

É engraçado perceber que o passar dos anos nos leva a pensar que nossas vidas, quando tanto mais extraordinárias, não sejam, afinal, muito diferentes das vidas de outras pessoas. Parabéns!

Patricia Manuela disse...

Jesus Cristo!

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Hoje fiz este scrap e
Gostaria que ele fosse
Repassado, lê baixinho:
"Jesus eu te adoro e preciso
De ti, vem pra dentro
Do meu coração agora."
Um abração!
Deus ajude esta mae corajosa.Beijinhos.

Francine disse...

Muito tocante seu texto, você consegue relatar o exato sentimento que passamos com nossos bebês um pouco mais crescidinhos...aquela fase de desespero e desorientação já passou, e a gente se dar conta do que exatamente temos que fazer nos torna mais seguras e prontas pra enfrentar o mundo.

Cada família com sua vida, cada vida com seus problemas e cada problema uma solução. Pode ser que a solução não seja exatamente o que sonhamos, mas enxergarmos perspectivas, termos fé e ficarmos grata com a evolução dos nossos filhos só trará mais alegria e progresso.

Esse ano abri mão de trabalhar, coisa que jamais imaginaria fazer por ninguém, e ao contrário do que sempre pensei, isso não me trouxe nehuma angústia. Cuidar pessoal e integralmente do meu filho não poderia me fazer mais feliz. Aliás, quem poderia deixar de ser feliz testemunhando esses pequenos progressos?? Eu também não pensava que o desafio era tão grande, mas afinal, eles têm a vida toda pela frente, não é?

Parabéns, muita sorte e saúde ao JP e toda sua famíla.