
Se alguém me perguntar qual foi o pior dia da minha vida eu respondo sem ter que refletir um só minuto: o pior dia da minha vida foi o dia em que sai da maternidade deixando meus dois filhos, gêmeos, Emanuel e Rafael, na uti. Mesmo hoje ao recordar, dois anos e meio depois, sinto ainda resquícios desta dor.
Esperava sair da maternidade com dois bebes gordinhos no colo, aquele sorriso refletindo toda minha alegria, arranjos de flores e a expectativa de ir degustando a divina experiência da maternidade com a qual por tantos anos eu sonhei.
Caminhei até a porta aos prantos. No colo, ao invés dos meus dois lindos meninos envoltos em suas bordadíssimas saídas de maternidade, o quadrinho que enfeitaria a porta do quarto do hospital, onde dois bonequinhos de tecido com cabelinho de lã azul sentados num banquinho simbolizavam meus filhos. As flores ficaram pra trás, não quis levá-las, talvez por não me achar merecedora delas, já que no meu íntimo me torturava por não ter conseguido concluir com êxito a tarefa de gestar meus filhos.
Ao cruzar a porta do hospital e me deparar com o mundo caí em mim. As lágrimas teriam que ficar para trás e a menina assustada, frustrada e egocêntrica também. Eu agora era uma mulher, com dois filhos doentes, e tinha que enfrentar essa situação nova. Limpei o rosto e fechei meus olhos, abracei o quadrinho e fiz uma promessa mental aos meus filhos: “prometo que em alguns dias vamos cruzar os três juntos essa mesma porta, e que até lá vou dar até minha última gota de esforço para que vocês sofram o mesmo possível”.
Esta foi mais uma das muitas promessas que não consegui cumprir na vida. Eles sofreram muito na UTI, e não consegui cruzar a porta com meu Rafael, que morreu vinte e poucos dias depois vítima de uma infecção.
Algumas pessoas se assombram quando conto o fato de ter sofrido mais ao deixar a maternidade do que no enterro do meu filho. É fácil de explicar. Peder um filho é a maior dor que alguém pode ter na vida e isso é tão grande que na hora da morte a gente recebe uma espécie de anestesia emocional, parece que está vendo um filme e não compreende muito bem o que está acontecendo. O sofrimento maior fica para depois, quando sua “ficha vai caindo”. Já na uti não existem analgésicos. Tudo é feito a frio, a seco, a carne viva e a sua dor não têm a menor importância perto da gravidade da situação.
Meus filhos nasceram com 31 semanas de gestação e pesaram por volta de um quilo e meio. Tiveram muitas complicações, Emanuel ficou 68 dias no hospital, destes 46 na uti.
A primeira impressão que tive ao ver aqueles bebes frágeis e minúsculos respirando por aparelhos foi de que tinha sido enganada por Deus. Não!!! Absolutamente não eram aqueles os filhos que eu tinha “encomendado”. Tinha encomendado bebes gordinhos, lindíssimos, filas de visitas, pratinhos de canja, amamentação olhando nos olhos, canções de ninar, desfiles de roupinhas...nada parecido com esses dois mini bonequinhos magrelos e olhudos de frauda dentro dessas caixinhas aquecidas e com um bando de fios ligado no corpo. Nem tocar neles eu podia!!!!
Em pouco tempo percebi que não existia nenhum 0800 com linha direta com o céu, nem “fale conosco” com email ou chat para eu poder reclamar e resolver a situação. Eu tinha que enfrentar e não sabia quais dos sentimentos emaranhados e confusos contidos dentro de mim seria mais útil para nós três, mas com certeza a auto piedade seria o mais inútil.
A partir dali nasceu uma nova mulher...nasceu a mãe.
A UTI testa o tempo todo os seus limites. Você vive no limite entre a vida e a morte, numa roda viva de emoções das mais intensas, conhece de perto o pavor, a impotência, a frustração, a exaustão. E tem que estar sempre pronto a tomar decisões rápidas e conscientes.
É muito difícil. Você se sente solitário. Lembro que ia pelo caminho confabulando com meu marido sobre qual seria o pior ou o melhor quadro que encontraríamos, tentando não ser pegos de surpresa por algo muito ruim.
Eu subia as rampas que davam acesso ao andar com o coração disparado, ao me aproximar da sala queria sair correndo de tanto pânico... medo das notícias...medo da perda...medo da piora...medo do futuro...medo do presente...medo de ser fraca...medo de ser culpada...medo de não saber o que fazer.
Entrava e dava um bom dia desconfiado, esperando pelas notícias, e os minutos de espera se tornavam horas. Alguns dias os médicos vinham com sorrisos: “seus filhos estão ótimos”. No outro “precisamos conversar”.
Assim passaram-se semanas entre apnéias, convulsões, enterocolites, hemorragias intracranianas, canais arteriais abertos, insuficiência cardio-respiratória, sepsis, meningite, icterícia...Mas o pior para mim eram as veias. Coisa de mãe mesmo, ficar preocupada com a dor das mais de dez picadas que meu filho chegava a receber por dia do que com o fato dele estar com meningite. Eu morria aos poucos ao ver meu filho sendo todo picado, ficar todo roxinho, sem cabelinho na cabeça, gritando de dor e não poder impedir Pensava na porcaria de mãe que eu era que não conseguia livrar seu filho de tanto sofrimento.
Foi na uti também que eu ouvi dizer pela primeira vez que ele poderia ter seqüelas. Como seqüelas?!? Pensei comigo...será que já não sofremos o bastante e ainda vou levar pra casa um bebe com seqüela? Não acreditei, achava que já tinha tido a minha cota de sofrimento e que Deus me pouparia destas coisas menores.
Mal eu sabia o que estaria por vir...
Hoje sei que desde aquela época ele já era PC. Perdeu deglutição por isso, custou a pegar o peito por isso, era tão “durinho” por isso...
As seqüelas emocionais de uma separação prematura, forçada e tão triste de um bebê e sua mãe também são evidentes e serão necessários tempo e muito trabalho para vencê-las.
Este é o motivo do meu texto de hoje. Chamar a atenção para esses deficientes. E para o sofrimento destas famílias
Li que algumas mães passam três anos ou mais com filhos na uti. Não imagino como alguém possa agüentar essa tortura tanto tempo.
Não há amparo nem estrutura para acomodar algo tão delicado quanto uma ligação de um bebe com sua família. Em muitas UTIs não há sequer lugar par as mães descansarem e passam meses dormindo em cadeiras nas portas esperando pelo horário de entrar para amamentar ou visitar. As informações são desencontradas e há pouca preocupação com o lado humano, emocional, com o vínculo entre o bebê e a mãe. Em alguns casos não se podem nem tocá-los (lembro que quando eu tocava o Emanuel na UTI ele berrava de pavor, porque achava que já iam machucá-lo, não sabia o que era um carinho).
Nos primeiros dias a família e os amigos se compadecem e ajudam, mas com o passar de meses e até anos a coisa cai na rotina e essas famílias ficam a sós em sua luta. Os ser humano é capaz de banalizar até uma situação tão grave quanto esta. Alguns pais também não agüentam e desistem deixando as mães ainda mais desamparadas.
São deficientes, doentes e esquecidos.
Talvez esta seja a forma mais velada de discriminação, uma discriminação tamanha que nem nos damos conta que essas criaturas e suas sofridas famílias existem.
Se estamos aqui tentando mostrar que a deficiência não é impeditiva para uma vida autônoma, útil e prazerosa e lutar pela inclusão do deficiente temos também que mostrar a sociedade este tipo de sofrimento buscando para essas famílias o mínimo de dignidade.
Pense nisto!!!
* Gostaria de frisar que retrato aqui um quadro geral das UTIs neonatais e pediátricas no Brasil e que fui muito bem atendida na UTI em que meus filhos ficaram. Fiz lá amigos para a vida toda e sou eternamente grata por terem salvo tantas vezes a vida do meu Emanuel
23 comentários:
Minha querida Marina
Antes de comentar o teu post queria só responder ao teu comentário no meu: Nunca saberei se o meu JP foi fruto de uma aleatoridade, ou se foi uma "benção ou partida" de Deus...não quer dizer que me sinta abençoada, mas posso equacionar a hipótese de que se Deus existir, ele escolher os pais mais alegres, positivos...para confiar estas crianças . Estava no campo da suposição...De qq forma , como já te tinha dito, temos alguns pontos de vista muito divergentes, mas eu admiro isso. E gosto de escutar e aprender com outras pessoas, com outras opiniões. É enriquecedor para mim.
Bem, mas sobre este post tão carregado de emoções, deixei-me envolver e sinto a tua dor...aquela dor de voltar para casa sem o nosso menino. Nunca tive o JP na UTI, mas ficou no hospital 5 longuissimos dias sem mim...e bem sei quanto custou ! Sigo o site de uma amiga que passou pela experiência da prematuridade www.nascerprematuro.org
e sei que mexe demais com qualquer mãe.
Mas o que não nos mata , torna-nos mais fortes e agora tens um resistente filhinho cheio de vontade de lutar pela vida e pela sua autonomia. Nem todas vivemos sonhos cor de rosa, mas os nossos sonhos estão carregados de emoções, altos, baixos...são histórias de coragem. Hoje és mãe. És uma mãe cheia de razões de viver, cheia de força para lutar e fazer o teu filho feliz. Os nossos sonhos de bebés gordinhos, super-saudáveis e dos dias mais felizes da nossa vida , não passaram de sonhos...mas acontece com milhões de mães em todo o mundo, mais que não seja por algo chamado depressão pós-parto...E nós de cada vez que contamos a história, menos negra ela se torna...um dia contas e ela te parecerá menos negra...talvez um lilás...um rosa-escuro. Uma grande beijinho apertadinho
Oi Grilinha...
Quanto a idéias diversas tb acho o máximo...eu simplesmente amoooo que discordem de mim, que me mostrem outro lado, que me façam perceber o quanto meus pensamentos são incompletos e a minha visão é limitada perto da visão do todo....isso, querida, traz crescimento...lhe agradeço por discordarmos, tenho certeza que cresceremos nisso.
Agora amei o que vc escreveu "o que não nos mata nos torna mais fortes"...acho que é bem por aí mesmo. E quanto a Deus escolher mães risonhas, felizes tb acho que esta coberta de razão, eu sempre achei que meu filho não merecia uma mãe de mal com a vida então rio o dia todo e sou feliz dentro do contexto que vivo.
Emanuel é minha grande alegria....sua deficiência minha grande tristeza...e não por mim, mas por ele mesmo, por saber das dificuldades que tem e terá.
Postei este texto sobre deficientes na uti porque fiquei indiganada com algumas historias que chegaram aos meus ouvidos, de uma realidade que eu desconhecia...e nestas horas fico achando minha cruz tão levinha...(risos)...
Obrigada por suas palavras...talvez a gente tenha divergências no modo de pensar, mas nossas atitudes de amor para com nossos meninos nos fazem muito iguais...
Beijão!!!
É bem verdade o que disseste.
"nossas atitudes de amor para com nossos meninos nos fazem muito iguais".
Este blog é rico em experiências diferentes, em pontos de vista e até países diferentes... mas expremendo todos os posts retiro "atitude positiva"...MUITO AMOR...
E é isso que mais precisamos. Esta vida, nossa ou dos nossos filhos ,é curta....muito curta. Pode vir outra de seguida, mas não tendo a certeza disso, quero aproveitar e ensinar a proveitar bem esta que vivemos ! Haja sempre muito amor e tudo irá ao seu lugar...Outro beijo grande para ti, Marina
Marina minha querida...
Texto emocionante... Tb não tive meu filhote em UTI, mas as vezes em que estivemos internados por multiplas pneumonias me dá uma noção desta realidade tão dura.
Tb não conheço a dor de perder um filho. Mas hoje depois de ser mãe, posso ter uma leve idéia do que é viver sem meu amor.
"Se estamos aqui tentando mostrar que a deficiência não é impeditiva para uma vida autônoma, útil e prazerosa e lutar pela inclusão do deficiente temos também que mostrar a sociedade este tipo de sofrimento buscando para essas famílias o mínimo de dignidade"
Resumiu meus pensamentos!
Beijos apertados no Emanuel e um abraço de urso em vc!
Tenho um filho de 5 anos com pc, ele nasceu em macapá no amapá, agora está em belém do pará com a minha esposa e com a irmã e sei que não é fácil para os outros pois ele tira de letra as dificuldades. sinto tanto pois ele passou 79 dias internado, mas como um super herói foi além e continua me ensinando que as minhas limitações podem ser vencidas, basta somente ir a luta. um abraço em Cristo.
Como sempre seus textos são lindos e emocionantes, não tem como eu não me enxergar no dia mais triste da sua vida, que também foi o meu quando deixei meu bebê e fui pra casa (levando aquele monte de flores...).A angústia de não saber o que esperar ouvir em cada visita, dá lugar a sensação de triunfo ao sairmos de lá com nossos pacotinhos. Nossos bebês miudinhos que com meses aparentavam dias...já cheguei até a tomar bronca no supermercado de uma senhora que achou que eu tinha saído da maternidade e ido fazer compras (também, com 3 meses pesava 3 quilos e meio!!!). Essa é nossa história, toda vez que leio algum depoimento, leio um pouquinho de mim, um pouquinho da minha vida nesses últimos dois anos, isso me conforta e me faz seguir adiante mais forte!!
Beijos
Francine
Cara Marina,
releio seguidamente teus textos, pois embora tenha opiniões discordantes em alguns pontos (exatamente como minha querida amiga Grilinha), também acho que é esta diversidade que nos fazer refletir ainda mais e crescer.
Este teu texto me fez reviver muitas das minhas dores da UTI com o Caio. Eu não perdi um filho, embora ele tenha sido desenganado várias vezes ao longo de 55 dias de internação. E sim, eu sei o quanto dói você sair da maternidade sem seu bebê. Inevitável não sentir inveja das mães sorridentes, ao seu lado, indo pra casa com seus troféus de vida no colo, indo viver tudo aquilo que a gente queria... mas que não dá!
Desde ontem estou me inspirando pra postar no meu blog, sobre o meu processo diário de tentar superar essas dores. Eu gostaria de apagá-las, esquecê-las, sei lá. Mas quando olho pro meu Caio tentando se firmar e não conseguir, eu volto lá pra trás e choro tudo de novo (ou ao menos me lamento, me questiono).
Enfim, de qualquer forma, hoje entrei aqui com um propósito. Meu Caio nasceu de 32 semanas, enorme (2kg435), tive a bolsa rompida e os médicos negando-se a fazer o parto. Ele nasceu 4 dias depois, de parto normal (meu corpo o expulsou, literalmente) teve sepse e todas as suas complicações. Mas depois de muito ler e estudar, descobri que todo o sofrimento dele começou ainda no útero. Ele teve encefalopatia anóxica e suas lesões cerebrais começaram aí (depois foram agravadas pela meningite). No útero ele era perfeito! Como aqui no blog tem as histórias mais diversas, adoraria receber emails de quem se dispuser a trocar uma idéia. Tenho pensado muito em processar o hospital por erro médico (ainda estou dentro do prazo legal para isto). Sei que não dará a saúde necessária a meu Caio, mas talvez eu consiga alguma indenização que ajude no tratamento dele, tão dispendioso pro meu orçamento. Talvez eu possa lhe oferecer novas terapias. E, principalmente, talvez algum (um que seja, já basta) destes médicos aprenda a não repetir essa bárbarie.
Quem quiser "conversar" comigo no claudinha@plenna.com (sem .br) ou me adicionar no msn (dinhalacerda@hotmail.com), agradeço de coração.
Marina, mais uma vez lindo e profundo post. E lindo e vitorioso, teu Emanuel e teu amor por ele. Um grande beijo, com admiração!
Oi Marina!
Que texto emocionante, bom, eu só conheço o outro lado do problema, por isso não sei muito bem o que falar.
Muitos médicos e hospitais ainda tratam as mães parturientes como se fossem mercadorias, quem paga mais fica com a melhor parte, é triste, mas é a realidade.
Até já ouvi casos de médicos que não podiam atender, porque estavam dormindo no dormitório do PS, pode???
Rezo para que um dia possamos todos ser tratados com dignidade, e que este dia não esteja tão longe.
Beijos.
OBS: A cada fotinho do Emanuel, dá pra ver que ele é feliz e está melhorando, que bom, continue assim, uma super mãe.
Tathy...
Apesar de não ter tido filho na uti tenho certeza que vc sabe bem sobre a dor da perigrinação médica, informações desencontradas, maus prognósticos, medo
Fran
Por outro lado, quando vc ve seu filho assim todo forte, sorridente, feliz, não te da uma sensação de vitória?
só de lembrar daquela coisinha frágil, cheia de complicações e agora ve-los assim tão cheios de graça (Emanuel aprendeu a dançar, e que musica o dia todo pra ficar chacoalhando o corpinho...kkk) me faz pensar no milagre da vida...
Acho que de certa forma somos todas muito vitoriosas...
Bjs pra ti e pra esse pequeno cacheado
Eduardo
Puts....79 dias de pura agonia....difícil demais...
Mas vc em razão...eu lembro que chegava chorando na uti e quando Emanuel percebia minha aproximação na encubadora abria os olhinhos e esboçava um sorriso....
Parecia me dizer "força mãe, força"
Tenho isso ate gravado num clipe...de vez em quando olho e choro ao ver aquele ratinho, em meio a tanta dor, tentar me consolar...
Deus é mesmo sábio demais...
Dinha
Eu b tenho muitas sequelas emocionais desta época...e elas me atrapalham mto...so pra vc ter uma ideia eu tenho pavor em me separar dele, so consegui voltar dar expediente no trabalho a pouco tempo....ele nunca dormiu nem na casa da minha mãe
Todos os anos, quando chegam os meses onde tudo aconteceu eu fico mal...parece que revivo tudo aquilo....
Afffeee....tb queria esquecer....
Olha, quanto a opense bem sim...se esta no seu direito acho que deveria ir em frente...se eu puder ajudar em algo estou s sua disposição...
Beijos pra ti e pro Caio
Lucia Helena
"Muitos médicos e hospitais ainda tratam as mães parturientes como se fossem mercadorias, quem paga mais fica com a melhor parte, é triste, mas é a realidade".
mais do que triste é revoltante...so quem paga mais ter direito a dignidade...
Affeee....as vezes tenho vontade de sumir deste país....
Minha filha, Luísa, passou 10 dias na UTI, logo depois de nascer. Posso afirmar, com certeza, que esses foram os piores dias da minha vida. Nada se comparar a dor de não poder trazer para casa e amamentar o bebê que acaba de sair da sua barriga. Ele ali, dentro de uma caixinha de acrílico, levando picadas nas veias e se alimentando por um tubinho. Nem confortá-lo vc pode.
Meu filho Lucas ficou 22 dias na UTI, e eu fiquei todo este tempo com ele dormindo no Hospital! Nestes 22 dias so vi a luz do sol um unico dia: para fazer o registro dele no catorio! Dormia la num cantinho, numa cama improvisada...Pedindo a Deus para ir embora com meu filho dali...
Hoje ele esta com 10 anos e estamos na luta!
Admiro muito vc Marina. Beijos
Marina, estou sem comentário possível, escrevo mecânica. Também eu - e falo pouco nesse assunto - passei por essa experiência duas vezes. O meu filho mais velho superou-a (sequelas apenas de fragilidade). Três anos depois recomecei tudo. O meu segundo filho não sobreviveu, como o teu Rafael. E o meu reecontro nas tuas descrições de sentimentos e de vivências é completo. Muito apoio do pessoal hospitar. Mesmo muito. Muita solidão e demasiado tempo para pensar, ao lado da incubadora, demasiado tempo a ver fios, ouvir apitos, olhar para gráficos e esperar que a linha não se estenda, estendeu e a dor não foi maior e a ressaca não é imediata. O facto de haver outra criança obriga-nos a gelar e a sobreviver. Não há apoios conjuntos, só quando encontramos alguém que tenha passado pelo mesmo conseguimo abrir a porta das recordações. "Eu sei que tu compreendes bem" canta o português Jorge Palma numa canção chamada o Bairro do Amor.
Muita coragem neste teu post. Obrigado por encontrar hoje de manhã (no meu caso já passaram 10 anos) alguém que conseguiu escrever o que às vezes não consigo nem sequer lembrar.
Um abraço enorme e cheio de amizade para ti e para o Emanuel. Tudo de bom.
Claudia
A admiração é recíporca....10 anos de luta!!!
Eu ainda estou no segundo...
Beijos pra ti
Maria
Muito embora sejam tristes os sentimentos que nos unem fico feliz em poder traduzir com minhas palavras emoções assim tão fortes e tão encarceradas na alma....
Penso que são feridas que não cicatrizam jamais....a gente que da um jeitinho de botar um esparadrapo para ninguem ficar vendo e, como v bem disse em nome de outros filhos, vamos seguindo adiante...
A boa nova é que da pra ser feliz...eu sou muito...apesar de tudo que passei e da minha luta di´ria com emanuel e a dificuldade em vê-lo tão limitado
Acho que somos mais fortes que a desgraça...e ver que consigo passar pelos maus momentos me faz perceber o quanto Deus está comigo
Felicidades para nós....
Beijos, fiquei muito feliz com o seu relato...espero que volte sempre aqui
Voltei, Marina. Claro que sim. Obrigado pelo abraço. Tenho o meu João ao meu lado, a dizer que o seu filho é lindo. Ele sabe que também eu o toquei assim numa incubadora, sem poder pegar nos primeiros tempos. Tenho o vosso blog linkado no meu e faço toda a divulgação possível. Acho fantástica a coragem dos vossos testemunhos, nada como falar sobre as coisas da vida, as que passam como anjos e as que estão presentes para cuidarmos. Um beijo, com muita amizade.
MARINA,me emocionei muito com suas palavras,meus gemeos ficaram muito tempo também em uma uti.Cruzei a porta com os dois em momentos bem diferentes,primeiro com a Victoria aos 19 dias morta por uma infecção hospitalar,e depois apos 5 meses,com meu Victor,além de prematuro uma caixinha de surpresas com muitos defeitinhos,segundos os medicos.Foi a pior coisa,superei a morte da irmã que nada tinha,e aguentei a ida para casa apos 5 meses de uma criança dita gravizinha e sem chances de viver.
A uti é uma gangorra com altos e baixos,não sabem lidar com os ditos paizinhos,de bebes tão graves.
Não sei também Marina,se minha maior dor foi enterrar uma filha ou escutar um medico de altos conceitos virar para mim na uti e dizer que meu filho seria um vegetal.
Hoje ele é meu motivo de viver,minha maior alegria .Chego em casa e não encontro um vegetalzinho,como diriam que ele seria,e sim um bebezão,que vem ao meu encontro gritando:mamae chego....
Hoje me recordo do que passou e vejo que faria tudo de novo,pois valeu apena acreditar no meu filho.A unica coisa que mudaria seria tirar minha filha na vespera de natal da uti,antes dela vir a falecer,pois o dia 25 de dezembro de 2003 hoje não posso mais mudar.
Ter um filho especial,com paralizia celebral e além do mais prematuro,é um teste de resistencia muito forte.
Sobrevivi a primeira etapa,hoje meu bebe tem 3 anos e meio,tem paralisia celebral ,hidrocefalia e problemas ainda pela prematuridade de 28 semanas,mas é muito feliz,e meu presente de GREGO DE DEUS,a luz de minha vida.
queria te dizer tanta coisa, mas deu um branco, um nó na garganta, e as lagrimas tão correndo, sou avó e desde que minha neta nasceu fiquei assim choro por tudo, ela vai fazer um aninho 4 de setembro, passamos um ano de dores, esperança e vitorias, tudo se esquece com o sorriso dela, uma outra hora te deixo um recado de verdade, foi muito forte, até outra hora super mae, bjos.
oi.meu nome eh daiane,me emocionei muito com teu texto,e admiro toda forca de vontade que vc e outras maes tiveram para lutar por seus filhos.Eu tenho 21 anos e nao tenho filho.Estudo moda e estou desenvolvendo um projeto para pessoas com PC,pelas minhas breves pesquisas analisei que elas tem dificuldade para vestir-se,e pouquissimas empresas desenvolvem roupas para pessoas que tem dificuldade para se mover.Todo estilista pensa em desenvolver roupas para pessoas que nao tem nenhuma dificuldade neh.Por isso pensei em mudar o publico,porque eles tambem se vestem e precisam que as roupas sejam mais ergonomicas.
Marina, esse post é de 2007. Será que você ainda vai receber esse meu comentario? Tive gemeos, os dois sobreviveram mas a menina tem pc. Se eu já tivesse tido coragem de escrever meus sentimentos seriam exatamente com as suas palavras. Preciso de ajuda... se receber esse contato por favor me escreva: juliane.email@gmail.com
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