sexta-feira, 18 de maio de 2007

O mundo ao meu redor


Há procura de uma escolinha que possa receber meu filho por meio período, ouvi um dia desses de uma pessoa que a pré escola Magistral localizada no Jardim França, zona norte de São Paulo, não recebia crianças com “defeitinhos”.Resolvi naquela hora deixar pra lá, ao olhar penalizada para aquele moço que em sua ignorância no mais pleno sentido da palavra não sabia o que dizia...

Afinal, defeito??? Que defeito é esse que o faz diferente do mundo? Não andar? Só quem convive com o Cauê, ou com qualquer outra criança com seqüelas da Paralisia Cerebral sabe que ele tem as mesmas características de qualquer outra criança de sua idade, o que acontece é que ele por vezes expressa sua manha, alegria, birra ou seu amor de outro modo.

Um certo vereador carioca de nome Wilson Leite Passos, justifica um absurdo projeto de lei que beneficia não deficientes com a seguinte frase: “Sociedades de enfermos físicos, morais ou mentais, além de, por natureza, serem infelizes e viverem em constantes tragédias decorrentes da ação negativa e danosa desses componentes infelizes, não acompanham o progresso dos povos mais sadios, melhor dotados, e em conseqüência, cada vez mais deles se tornam dependentes.”

Considero-me uma pessoa extremamente otimista, procuro buscar a melhor qualidade de vida para meu filho e para nossa família, mas devo admitir que certas vezes é muito desgastante ter de participar de uma sociedade que pouco sabe mas muito opina sobre deficiências que jamais se interaram. Eu mesma, apesar de conviver há pouco tempo com as limitações conseqüentes da PC, não tenho tanto a opinar sobre o assunto e mais a aprender porque é de meu interesse.

Agora como alguém pode dimensionar o amor de uma mãe por seu filho, como podemos questionar o interesse de uma família por sua criança? Digo por mim, mais uma vez, que meu filho é muito amado, do jeitinho que ele é,sentando ou não, andando ou não, ele será sempre nosso menino que já hoje nos trás muitas alegrias, que se descobre a cada dia, e luta arduamente para conseguir seus objetivos, seja arrastar-se atrás de um carrinho, seja conseguir levar a colher de sopa à boca.

Não sei ao certo porque esquecemo-nos de nossa primeira infância quando crescemos, mas sei que lá no fundo meu filho vai sentir, que apesar de ter tido em sua infância o diferencial de muitas terapias, também teve muito amor. Agora, fazer o quê? Sei que ouvir certos comentários vai doer muito mais em mim do que nele, mas ao invés de brigar com o mundo, resolvi investir numa criação baseada em segurança, onde as opiniões externas não influenciarão a conduta do meu pequeno herói...

Quando você dorme tudo passa
O desafio, a luta, a superação
Pois você dorme como um anjo
Pois você dorme com o seu anjo

Quem lhe vê quando dorme
Não vê diferença alguma
Vê apenas um lindo menino
Sem saber que luta por coisas tão simples
Que passam despercebidas por quem as tem

Mas quem lhe vê dormindo
Também não vê sua simpatia
Não desfruta de seus incansáveis beijos
Não toma mordidas ou beliscões

Esse olhar maroto que por poucas horas descansa
E acorda de madrugada pedindo pra ver desenho na TV
E quando cansa, vira, abraça
Aninha-se e nos faz cafuné

Você já aparenta ser um pequeno rapaz
Mas ainda lhe vemos como nosso pequeno bebê
Torcemos pelo seu progresso, por sua independência
Mas é delicioso te ter bebê por mais tempo

É um privilégio desfrutar de sua companhia
Ser sua família, é nossa melhor missão.

17 comentários:

Adriana disse...

Francine.... Lindo....
Admirei sua postura perante "aquele moço e sua ignorância".
Nossas lindas crianças que são bebes por mais tempo são deliciosos mesmo!

Grilinha disse...

Francine

Estou pregada no sofá. Que palavras sábias, bonitas e quanto me identifico com tudo o que escreves ! Um grande beijo e obrigado por partilhares connosco os teus pensamentos. Adorei.

Anônimo disse...

Fran

"é delicioso ter um bebe por mais tempo"...

só posso concordar, É MESMO...sempre penso nisso como um lado bom...e adoro ter meu bebezão de dois anos e meio!

As vezes acho que minha total falta de vontade de ter outro filho vem daí...tive (e tenho) um bebe por tanto tempo que supriu toda essa energia...penso que se tivesse um bebe que sentasse com seis meses, andasse com um aninho e com um e meio estivesse falando teria passado tão rápido que eu teria saudades.

Quanto a inadequação da sociedade é outro fato que em que não há como se negar...mas o caminho é este mesmo...a n ossa ceitação

Eu tb já desisti de pensar "poxa, se não fosse a PC ele estaria assim ou assado"...É A PC e esse é o filho que eu tenho...UM FILHO COM PC...e não será por isso que lhe faltará todo nosso amor, aceitação, admiração, alegria...

Acho triste demais ficar vivendo do que poderia ser e deixar o que é passar em brancas nuvens....

Então viva o Cauê! Viva o Emanuel! viva tantos outros que apesar dos seus "defeitinhos" (eca!!!!) são nossos mais perfeitos filhos

marina gaya disse...

(o anonimo acima sou eu, que postou errado...kkkkkk)

Cristiana Soares disse...

Fofo, fofo, fofo! Esse menino é muito fofo!!!

simone disse...

Francine

Gostei muito do seu texto e sua atitude....no começo é tudo mais difícil mas depois o que é anormal e defeitinho para os outros para gente é mais que normal!!!!

Sabe porque???Na minha opinião aprendemos a ver a vida de outra forma de outro modo e eles ainda não conseguiram enchergar isso , por esse motivo que não vale apena fazer debates!!!
Um Abraço!!!!!!!!!!!

paidopedro disse...

são terríveis essas palavras desse vereador carioca. uma vergonha alguém que tem responsabilidades políticas pensar assim, quanto mais falar... parece até coisa de nazis! o que a gente tem que aturar...

Maria disse...

Francine, um abraço pela sua coragem em denunciar situações dessas. Como é possível que haja projectos de lei assim? Como é possível que as escolas continuem a tratar as crianças de forma diferente só porque são obviamente, todas elas um ser único? E maravilhoso, o pequenino da fotografia, um beijo para ele.

Anônimo disse...

Francine, talvez eu não teria tanta força como você afinal dizem que DEUS não nos dá a cruz maior que não podemos supotar, quando a Yasmin não fica quieta faz bagunça e me morde...., fico muito brava é tenho orgulho de você jamais terei dó porque tenho dó de mim que sou fraca por nada.

Caue, você esta vivo é isso que importa, força.

Um beijo

Vilma Carvalho

Francine disse...

Adriana, Grilinha, Marina:
É fácil a gente se entender, vivemos situações bem semelhantes, somos mães de rapazinhos por volta de 2 anos com atividades motoras semelhantes, ou seja, curto imensamente cada progresso que vocês contam, pois sei de perto o que isso significa para nós “mamães corujas”.Boa sorte, muita paciência e perseverança a todas nós!

Simone
Fico muito feliz por receber um incentivo seu que já está mais adiante nessa jornada. Até fiquei com vergonha de comentar seu texto e o da Lina, apesar de ter ficado encantada com ambas as histórias, por achar que ainda não estou à altura de dar palpite as mães mais experientes, mas estou percebendo que não é por aí!! Muito Obrigada!!

Pai do Pedro, Maria
A gente fica com vergonha mesmo pela atitude dessas pessoas, dá vontade de ligar pra rádio, mandar e-mail pra algum veículo de grande circulação, mas esse foi o jeito que eu arrumei de começar minhas denúncias. E pretendo, pelo menos nesse espaço que é nosso expressar tudo aquilo me deixa indignada e tudo aquilo que me conforta.
Obrigada!

Cristiana
Obrigada pelo fofo!!! Costumo dizer que o Cauê foi o que eu fiz de melhor até hoje em minha vida!!!

E Vilma..Oi Vilma!!!Há quanto tempo!!!Liga não, a gente só dá valor pras coisas quando passamos por situações que nos trazem o risco de perdê-las. Mas é bem legal vc perceber o quanto uma criança ser arteira representa que ela é saudável, pra agradecer todos os dias pela Yasmim. (Me manda uma foto dela por e-mail!!)

silvia disse...

Muito lindo, Francine, você escreve maravilhosamente bem... fiquei emocionada e com mais saudades do mocinho, só de vê-lo nesta foto... Beijos

Thaty Richter disse...

Francine,

Demorei um pouco para ler o blog e qual foi minha surpresa ao encontrar textos como o seu!

Parabéns querida, vc conseguiu traduzir mt bem nossa realidade.

Um beijão bem apertado no Cauê e um abraço de urso em vc!

Lúcia Helena disse...

Francine, adorei seu texto.

Minha mãe passou por isso também quando tentou me colocar na escolinha, mas não ligou e continuou me incentivando a fazer tudo que queria. O resultado disso, é o que sou hoje.

Quanto a esse infeliz vereador, não deve saber que o "enfermo moral e mental" é ele próprio, COITADO!!!

Beijos, nesse lindo garoto de cachinhos também, tá?

Claudia Costa disse...

Francine, admiro vc pela sua coragem e e determinação. Ja passei por situação parecida...
Algumas pessoas não sabem que , apesar de se acharem "sem defeitos", não imaginam que sequelas podem ocorrer a qualquer momento, independente da PC (AVC, acidentes etc)
Tudo o que seu filho precisa , ele ja tem: o seu amor , sua dedicação e sua determinação em não desistir, apesar de a estrada ser sinuosa demais e o sol muito quente...
Beijos pra ti e seu filho.
Seja muito feliz e que o seu filhinho desenvolva bastante!

Ceila Santos disse...

Francine,
sinto o quanto a falta de informação é o pior problema da sociedade. Aquele moço pode ser mais que um simples exemplo de ignorância...mas tenho certeza que muita gente busca aprender cada vez mais com a diversidade e não sabe como agir porque não temos cultura de conviver com a diversidade. e são blogs e depoimentos como esses que podem transformar um pouco nossa sociedade cheia de defeitos...Eu, por exemplo, vejo o quanto no Desabafo de Mãe a busca pela escola é uma luta heróica pq a busca pela informação é um processo complicado. quanto mais gente souber as alternativas válidas, melhor para nossas crianças e, consequentemente, para nossa sociedade. Vc tem alguma dica de escola legal em Sampa?

vanessa disse...

Muito lindo seu depoimento!
me emocionou!... eu como estudante de fisioterapia que busco sempre informações sobre PC, área a qual tenho maior afinidade e prazer em estudar , ver, sentir e poder ajudar as crianças de uma forma ou de outra a continuarem a lutar como todas as outras crianças, onde nã há nenhuma diferença entre elas! Um lindo sorriso, um olhar doce,uma alegria contagiante.è por estas e outras razões que me apaixono + e + por minha futura profissão que me faz ver o qnto eh especialmente maravilhoso realizar este trabalho.
Qnto á mãe, está de parabéns de saber lidar com algumas situações " q machucam, como mãe" , mas que tem orgulho de saber lidar com tal diferença, e é isso que faz a total diferença!

Um grande BeijO
Vanessa.

Anônimo disse...

Meu Catarina tenho pc foi no parto . hoje com 27 anos tenho dias ruins de desanimo.Como qualquer ser humano e tudo fica mais diificíl.a discriminação ja me incomodou hojê não tem tanta impotancia.Sinto fata de ascesso em todoss os centidos.
Não ee facil crescer depeendeendo de terceiros, Pois isso me Encomoda. Espeero que seu filho Sejaa cada vez mais indempendente , como você disse antes dele ser deficiente ele e só uma criança.Ser E muito dificíl ser dff . vc esta de párabéns. minha coclusãoe de que existe muita critica E pouca ajuda.
Como disse Já Vc e especial Como meus pais e tanto pais .
Enqúaado a mim ,ao seu filho eu Repito a sociedade tem que entender nós deficiente somos espcias e de carne e osso ,Começando pelo lar.